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O segredo da evolução esportiva está antes do treino, afirma especialista

16 de Junho de 2026
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Dra. Carla Melo, especialista em medicina do esporte, explica por que avaliação médica é decisiva para evoluir mais rápido, evitar lesões e treinar com precisão.

 

Treinar forte é importante. Mas treinar com segurança é indispensável. Em entrevista exclusiva ao Riomafra Mix, a médica especialista em Medicina do Exercício e do Esporte, Dra. Carla Stramare de Holleben Melo, explica por que o acompanhamento médico vai muito além de uma formalidade e pode ser determinante para a performance e a longevidade esportiva.

Muitos atletas acreditam que, ao contar com um treinador, já estão totalmente assistidos. No entanto, segundo a médica, as funções são complementares. “O treinador cuida do treino. O médico do esporte cuida do corpo para suportar esse treino com segurança e evoluir.” Ela destaca que a avaliação médica analisa coração, pulmões, metabolismo, articulações e equilíbrio muscular, identificando riscos, deficiências e limites individuais. O objetivo é claro: alcançar performance sem lesões e sem colocar a saúde em risco.

Sobre a avaliação pré-participação esportiva, a especialista é enfática ao afirmar que não se trata de mera burocracia. “Ela salva vidas: literalmente!” Muitos atletas descobrem arritmias, cardiopatias silenciosas, alterações pulmonares ou deficiências importantes antes que se transformem em problemas graves durante treinos ou competições. Para ela, esse é o primeiro passo para quem deseja treinar com responsabilidade.

Um dos exames mais completos na área é a ergoespirometria. De acordo com a médica, o exame permite avaliar como os pulmões funcionam durante o esforço, como o coração responde e como o corpo utiliza o oxigênio, além de definir com precisão os limiares ideais de treino. Isso significa estabelecer zonas personalizadas, baseadas em dados reais, e não em estimativas genéricas. Para corredores, triatletas e praticantes de esportes de resistência, trata-se de uma ferramenta estratégica.

Ela também alerta para o uso isolado da frequência cardíaca como parâmetro de treino. Segundo a especialista, trata-se apenas de uma estimativa, que pode estar equivocada. Dois atletas da mesma idade podem ter limiares completamente diferentes. Sem avaliação adequada, o atleta corre o risco de treinar abaixo do necessário e estagnar, ou acima do limite ideal, aumentando as chances de lesão. Com exame específico, o treino se torna mais preciso, a evolução mais rápida e a sobrecarga menor.

Quando o assunto é lesão, a médica explica que o problema raramente está apenas na planilha de treino. Desequilíbrios musculares, déficit de força, recuperação inadequada, deficiência nutricional e sobrecarga mal controlada estão entre as principais causas. A medicina do esporte atua justamente na identificação desses fatores antes que o problema se instale. “Prevenção é muito mais eficiente do que reabilitação”, afirma.

Para corredores, ela reforça que a musculação não é opcional, mas decisiva para a performance. O fortalecimento melhora a economia de corrida, aumenta a potência, protege as articulações e reduz o risco de lesões. Atletas de elite treinam força durante todo o ano. Correr sem fortalecer, segundo ela, é abrir espaço para problemas futuros.

Nos esportes coletivos, como futebol e vôlei, o número de lesões de joelho e tornozelo também chama atenção.

A explicação está no impacto constante, nas mudanças rápidas de direção e nos saltos frequentes. Fraqueza de glúteos e core, assimetrias musculares e fadiga acumulada estão entre os principais fatores de risco. Com avaliação médica associada à análise funcional, é possível reduzir significativamente a probabilidade de lesão. Para a especialista, lesão raramente é azar; geralmente é previsível.

No caso dos triatletas, o acompanhamento deve ser ainda mais específico. O triatlo exige resistência, potência e suporta alto volume de impacto repetitivo. São comuns casos de overtraining, anemia, deficiências hormonais e lesões por excesso. A medicina do esporte organiza carga, recuperação e saúde metabólica para sustentar o alto rendimento sem comprometer o organismo.

Quanto à frequência das consultas, a recomendação geral é realizar uma avaliação completa anual, com reavaliações a cada três a seis meses para quem treina em alta intensidade. Além disso, qualquer lesão ou queda de performance deve motivar nova consulta. “O atleta não deve procurar o médico apenas quando sente dor, mas para manter o corpo funcionando no melhor nível”, orienta.

Ainda segundo a médica, o maior erro dos atletas amadores é tentar treinar como profissionais, mas sem estrutura profissional. Carga elevada, pouca recuperação, ausência de exames e falta de prevenção acabam levando o corpo ao limite. O atleta inteligente, segundo ela, treina forte, mas com estratégia médica por trás.

A especialista reforça que não é necessário ser atleta de elite para buscar acompanhamento. Pessoas que desejam iniciar atividade física com segurança, praticantes amadores com dores persistentes, indivíduos que buscam emagrecimento ou ganho de massa muscular e atletas profissionais em preparação ou competição podem se beneficiar do suporte especializado.

“Medicina do esporte não é para quem está doente. É para quem quer treinar melhor, evoluir mais rápido, se lesionar menos e ter longevidade no esporte”, observa.

Serviço 
Dra. Carla Melo CRM-SC 26.269 RQE 26.129 Médica e especialista em Medicina do Exercício e do Esporte 
Rua Campos Sales 130, Alto de Mafra, Mafra 
Instagram: @dracarla.melo 
WhatsApp: (47) 3012-2412 (Clínica CMI)

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