Médica do esporte alerta que corredores, jogadores de futebol e praticantes de vôlei treinam como profissionais, mas sem estrutura médica. Combinação que aumenta o risco de lesões.
Atletas de futebol, vôlei e até corredores de rua costumam se lesionar por um motivo em comum: treinar como profissionais, mas sem a estrutura necessária para suportar a carga de treinamento. O alerta é da médica e especialista em Medicina do Exercício e do Esporte, Dra. Carla Melo, que observa esse padrão com frequência entre os pacientes que chegam ao seu consultório.
Segundo a especialista, muitos atletas amadores aumentam a intensidade dos treinos sem acompanhamento adequado, sem exames complementares e, principalmente, sem respeitar o tempo de recuperação do corpo.
“Quando há alta carga de treino, pouca ou nenhuma recuperação, falta de exames e ausência de prevenção adequada, o corpo acaba quebrando. Atleta inteligente treina forte, mas treina com estratégia médica junto”, explica.
Uma das perguntas mais comuns feitas no consultório é por que tantos atletas amadores se lesionam mesmo acreditando estar treinando corretamente. Para a médica, as lesões raramente têm apenas uma causa.
“Elas geralmente surgem de um conjunto de fatores: desequilíbrios musculares, déficit de força, recuperação inadequada, deficiência nutricional e sobrecarga progressiva mal controlada. É justamente nesse ponto que a medicina do esporte atua, identificando esses riscos antes que a lesão aconteça”, afirma.
De acordo com Carla, a prevenção é sempre mais eficiente do que tratar o problema depois que ele surge. “Prevenir é muito mais eficaz do que reabilitar”, pontua. Outro ponto frequentemente negligenciado pelos atletas amadores é o treinamento de força. A musculação, segundo a especialista, desempenha papel fundamental na performance e na prevenção de lesões.
“A musculação melhora a economia de corrida, aumenta a potência, protege as articulações e reduz significativamente o risco de lesões. Hoje, atletas de elite treinam força o ano inteiro. Correr sem fortalecer é praticamente um convite para se lesionar”, explica.
Nos esportes coletivos, como futebol e vôlei, a médica observa alta incidência de lesões em joelhos e tornozelos, principalmente por se tratarem de modalidades com impacto, mudanças rápidas de direção e saltos frequentes.
“As principais causas são fraqueza de glúteos e do core, assimetrias musculares e fadiga acumulada. Com avaliação médica e treinamento funcional adequado é possível reduzir drasticamente esses riscos. Lesão não é azar; na maioria das vezes é consequência da falta de prevenção”, destaca.
Para quem deseja manter uma vida ativa no esporte e melhorar o desempenho, a recomendação é realizar uma avaliação médica completa pelo menos uma vez por ano. Atletas que treinam com maior intensidade devem realizar reavaliações a cada três a seis meses, além de buscar acompanhamento sempre que houver lesões ou queda de performance.
Em outras palavras, o atleta não deve procurar o médico apenas quando sente dor. “Medicina do esporte não é para quem está doente. É para quem quer treinar melhor, evoluir mais rápido, se lesionar menos e ter longevidade no esporte”, conclui.
Serviço
Dra. Carla Melo Médica e especialista em Medicina do Exercício e do Esporte
Rua Campos Sales 130, Alto de Mafra, Mafra
Instagram: @dracarla.melo
WhatsApp: (47) 3012-2412 (Clínica CMI)